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quinta-feira, 3 de março de 2011

Mais vida

Estou bem. Não sei o que eu quero. E é por isso que vou ficar melhor com o que vier, seja o que for. É, cansei de me limitar. Cansei de definir. Cansei de classificar. Vou esperar, então. Aguardar a vida chegar devagarzinho na porta sussurrando que quer entrar. Aguardar que o silêncio que de súbito surge em mim se converta um dia em palavras de afeto. Aguardar sutileza, um pouco mais de verdade.

Aquela história de deixar a vida acontecer, que é pra lá de difícil de se fazer: eu vou tentar. Vou sentar no cantinho e pensar em mim mesma. Vou me dedicar a quem há tanto não se dedica a mim. Tenho estado tanto para outros que preciso com urgência sentar ao meu lado e me fazer cafuné. Tenho me doado tanto, cedido tanto de mim, que demorei a perceber como me sobrava pouco.

Não quero me permitir as migalhas da minha dedicação. Não quero me sentir vazia por estar tão cheia. E vou, vou ficar cheia sim: de amor pra me dar, de sorrisos pra me enfeitar,  de alegrias pra me consumir, de desejos para me recriar.

Tenho sentido a minha falta - e só percebi quando me reencontrei. Tô buscando sim muita vida pra viver. E tô muito a fim sim. De quê? Isso é que eu não sei. Sei que tô a fim, tô muito bem super a fim de mim.

Eu não sei o que eu quero, mas vou me deixar querer. Vou aceitar o que vier. Tô pronta pra vida. Se eu tenho certeza disso? E quem liga? Quero mais é descobrir.

domingo, 22 de novembro de 2009

Alvorada


Ela não desejava esperança. Ela amava a escuridão, a noite... E amava as estrelas que caridosamente contribuíam para o seu brilho. Ela amava a sua companheira lua, que vivazmente exubera-se na noite. Amava os vagalumes brincando entre si, enfeitando o cenário.

Ela não precisava de esperança. Ela tinha a dor e a melancolia para completá-la.

Mas o sol chegou.

A luz clareou sua visão e, quando a relutância se tornou insuficiente para afastar a claridade, ela se rendeu. Ela abriu os braços e sorriu.

Era a luz, o sol que chegava. A primavera se abria em seu coração, e ela não pôde evitar desistir da penumbra. Não era capaz de fugir dos feixes luminosos que agora destacavam-se em seus sorrisos e olhares. O sol tomou-a por inteiro, e ela deixou-se ser iluminada, deixou que o brilho a alcançasse.

Ela não teve escolha. Era a aurora de sua vida. O momento em que todos ao redor dormem serenamente; ela desperta e percebe o sol se erguendo no ar, elevando-se no horizonte. A sua noite sombria acabara.

Ela olhou ao redor e sorriu. A aurora chegara com a primavera. O céu expansivo tomou conta de seu humor, tornando-o sutil e fácil. Era o fim da madrugada, o início da manhã... Ela abriu os braços e, sem medo, sorriu. Para ser feliz.